quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
Cartismos - Parte 2
Ao passar pela enorme porta de madeira Alice sentiu invadir suas narinas um cheiro forte, quase embriagante, de incenso. Sentiu logo atrás de si a porta sendo fechada e enxergou apenas o vulto da cartomante passando a seu lado. Milena caminhava sem qualquer dificuldade pelo corredor mal iluminado. Alice seguia os passos da senhora tropeçando tanto na mobília quanto nos próprios pés.
Milena então virou-se para a direita escancarando uma porta antes entreaberta. Estavam em uma sala pequena e porcamente iluminada por velas que faziam as sombras dançarem em um ritmo frenético. Alice não tardou a descobrir de onde vinha o cheiro de incenso: em uma mesa de canto havia quatro deles queimando. Toda a sala era ornamentada com flores, frutas, pedras e cristais.
Bem no centro da saleta estava a mesa que Alice acreditou ser de leitura. Era uma mesa redonda coberta por uma toalha branca que por sua vez era coberta por outra toalha branca, esta sendo de renda. No meio da mesa havia um baralho comum, à esquerda das cartas uma vela grossa na qual a chama parecia flutuar no lago que cera derretida, à direita uma taça cheia de água com uma pedra roxa no fundo. A cartomante sentou-se em uma das cadeiras e fez um gesto indicando que Alice deveria sentar na outra cadeira a sua frente.
Ainda atordoada com o cheiro dos incensos Alice demorou a perceber o sinal de Milena. Quando o percebeu quase derrubou a cadeira de tão afoita que sentou. Notou o riso que a senhora deixou escapar, não a culpou, ela própria riria daquela situação ridícula. Mal sentou-se e começou a vomitar as palavras.
- Bem...eu tenho esse problema, né...eu gostaria que a senhora me desse uma luz...é que meu nam...
- Querida, com todo o respeito, fique quieta. Não sabes mentir. – Milena interrompeu Alice da forma mais educada que conseguiu. – Eu sei que não tens um problema de verdade, pelo menos achas que não. Me diz, por que viestes aqui? De verdade.
Alice sentou-se envergonhada, achou que fora bastante convincente. Ficou quieta, olhando com os olhos arregalados para a cartomante. Poderia dizer que fora até lá para desmentir todos os que acreditam no misticismo da cartomancia. Achou que seria grosseiro falar o que realmente pensava sobre o trabalho daquela senhora. Preferiu o silêncio.
- Tudo bem, já entendi. – Milena quebrou o silêncio. – Viestes para desmentir tudo o que eu e muitas outras pessoas acreditamos. Te surpreenderias com a quantidade de céticos que me aparecem aqui todas as semanas. Vamos apenas conversar. Me fala um pouco de ti, depois jogamos as cartas.
terça-feira, 22 de novembro de 2011
Bom te conhecer

Já passava da meia noite e Ana escutava a amiga conversar com
um rapaz na porta do bar. Entre uma tragada e outra ela olhava-o furtivamente, mas
conteve-se. Tentava parecer desinteressada, o máximo possível, diante dele. Não
o conhecia, jamais o tinha visto antes, mas aquele rapaz tinha algo que fez com
que ela se interessasse por ele instintivamente. Viu-os trocarem e-mail. Quis
dar um salto e dizer que ele poderia adicionar ela também, mas o bom senso não
permitiu. Então retornaram para dentro do bar.
A música estava alta, mas ela escutou com muita facilidade
quando a amiga disse que teria que ir embora. Voltaram para a rua, esperaria
junto da amiga pela carona, depois Ana voltaria para a festa sozinha. Pouco
antes de voltar para dentro, viu o rapaz voltando para a rua. Ele perguntou
se a partir dali ela estaria sozinha, ela confirmou, ele a convidou para
juntar-se a ele, ela aceitou. Passaram o resto da noite conversando, rindo,
bebendo. Ele ofereceu carona, ela aceitou.
Ainda estavam sentados conversando quando a festa terminou,
os garçons pediram para que eles fossem pagar as comandas. Já na rua, sentados
no carro, cada qual com sua cerveja, eles conversavam. Ele teria que esperar
uma amiga, ela iria de carona. Conversaram até quase ficarem sem assunto. Ele
disse para que ela pegasse o e-mail dele com a amiga, ela disse que o faria.
Ele disse que gostou dela, ela disse que também gostou dele. Ele chegou mais
perto, ela mais perto ainda. Ele sorriu, ela também. Ele a beijou, ela
retribuiu.
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
terça-feira, 26 de julho de 2011
Cartismos - Parte 1
Era calor, mas a chuva que batia nas costas dela quase lhe causava a sensação de frio. Alice era uma mulher muito atraente, tinha os cabelos muito curtos e escuros. Normalmente não acreditava em esoterismos e previsões sem grandes explicações. Mas, certa vez, conversando com uma amiga sobre sua vida e problemas a mesma havia recomendado a ela que visitasse uma conhecida e anotou em um guardanapo algumas coordenadas para encontrar a casa da mulher. Tomada por uma curiosidade súbita e muito maior que seu ceticismo Alice resolveu seguir a recomendação da amiga e lá estava, embarrada até os joelhos e com medo de ficar com pneumonia.
Olhava para o guardanapo molhado e começava a duvidar se tinha seguido corretamente às instruções. Estava em um lugar estranho, todas as construções eram muito antigas e com aparência de abandonadas, havia cães por todos os lados e muitos mendigos, uns dormiam sob parapeitos e outros vasculhavam lixeiras atrás de comida. A via por onde deveriam transitar carros era despavimentada, sequer tinha paralelepípedos, deserta e com muitos buracos. A calçada estava embarrada, com lixo por toda sua extensão, além de fezes que ela já não sabia se eram de gente ou dos cães.
“Parece que Deus deu as costas para esse lugar.” Não acreditava em deuses e nem em religião, mas achou o pensamento plausível. A cada passo ela ficava mais irritada com a cara de pau da amiga de mandá-la a um lugar daqueles. Quando começou a considerar dar meia volta enxergou uma placa que condizia com a descrita pela amiga. Ficou parada olhando para o guardanapo, agora despedaçado em suas mãos, e para a placa e sentiu um leve receio antes de entrar.
A placa era simples, de madeira envernizada, com inscrições em preto e presa à fachada do prédio por um cilindro de ferro com sinais de ferrugem e corrosão. Balançava com o vento emitindo um rangido incômodo. “Milena, cartomante.” Não havia nada mais escrito. Exatamente como lhe fora descrito. Bateu na enorme porta de madeira com força. Então a mesma começou a abrir revelando uma senhora baixinha e bastante gorda, com os cabelos brancos cobertos por um lenço vermelho.
- Boa noite.
- Boa noite. – A senhora foi para o lado e estendeu o braço para dentro da casa mostrando para Alice que deveria entrar.
Olhava para o guardanapo molhado e começava a duvidar se tinha seguido corretamente às instruções. Estava em um lugar estranho, todas as construções eram muito antigas e com aparência de abandonadas, havia cães por todos os lados e muitos mendigos, uns dormiam sob parapeitos e outros vasculhavam lixeiras atrás de comida. A via por onde deveriam transitar carros era despavimentada, sequer tinha paralelepípedos, deserta e com muitos buracos. A calçada estava embarrada, com lixo por toda sua extensão, além de fezes que ela já não sabia se eram de gente ou dos cães.
“Parece que Deus deu as costas para esse lugar.” Não acreditava em deuses e nem em religião, mas achou o pensamento plausível. A cada passo ela ficava mais irritada com a cara de pau da amiga de mandá-la a um lugar daqueles. Quando começou a considerar dar meia volta enxergou uma placa que condizia com a descrita pela amiga. Ficou parada olhando para o guardanapo, agora despedaçado em suas mãos, e para a placa e sentiu um leve receio antes de entrar.
A placa era simples, de madeira envernizada, com inscrições em preto e presa à fachada do prédio por um cilindro de ferro com sinais de ferrugem e corrosão. Balançava com o vento emitindo um rangido incômodo. “Milena, cartomante.” Não havia nada mais escrito. Exatamente como lhe fora descrito. Bateu na enorme porta de madeira com força. Então a mesma começou a abrir revelando uma senhora baixinha e bastante gorda, com os cabelos brancos cobertos por um lenço vermelho.
- Boa noite.
- Boa noite. – A senhora foi para o lado e estendeu o braço para dentro da casa mostrando para Alice que deveria entrar.
Algum dia continuo a história.
domingo, 17 de julho de 2011
domingo, 10 de julho de 2011
Jogo - Extinct!
Você é mais esperto que uma planta? As regras são bastante simples, você é uma flor e não pode ser extinto. Para isso cresça, faça crescerem folhas, raízes e flores e dissemine o maior número de sementes dentro do tempo pré-definido. Boa sorte.


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