segunda-feira, 24 de março de 2008

Inferno Nacional - Stanislaw ponte Preta

A HISTORIA abaixo transcrita surgiu no folclore de Belo Horizonte e foi
contada lá, numa versão política. Não é o nosso caso. Vai contada aqui
no seu mais puro estilo folclórico, sem maiores rodeios.

Diz que era uma vez um camarada que abotoou o paletó. Em vida o falecido
foi muito dado à falcatrua, chegou a ser candidato a vereador pelo PTB,
foi diretor do instituto de previdência, foi amigo do Tenório, enfim..
ao morrer nem conversou: foi direto para o Inferno. Em lá chegando,
pediu audiência a Satanás e perguntou:

- Qual é o lance aqui?

Satanás explicou que O Inferno estava dividido em diversas
departamentos, cada um administrado por um país, mas o falecido não
precisava ficar no departamento administrado pelo seu país de origem.

Podia ficar no departamento do país que escolhesse. Ele agradeceu muito
e disse a Satanás que ia dar uma voltinha para escolher o seu
departamento

Está claro que saiu do gabinete do Diabo e foi logo para o Departamento
dos Estados Unidos, achando que lá devia ser mais organizado o
inferninho que lhe caberia para toda a eternidade.. Entrou no
Departamento dos Estados Unidos e perguntou como era o regime ali.

Quinhentas chibatadas pela manhã, depois passar duas horas num forno de
200 graus. Na parte da tarde: ficar numa geladeira de 100 graus abaixo
de zero até as 3 horas, c voltar ao forno de 200 graus.
o falecido ficou besta e tratou de cair fora, em busca de um
departamento menos rigoroso Esteve no da Rússia, no do Japão, no da
França, mas era tudo a mesma coisa. Foi aí que lhe informaram que tudo
era igual: a divisão em departamentos era apenas para facilitar o
serviço no Inferno, mas em todo lugar o regime era o mesmo: quinhentas
chibatadas pela manhã, forno de 200 graus durante o dia e geladeira de
100 graus abaixo de zero, pela tarde.

O falecido já caminhava desconsolado por uma rua infernal, quando viu um
departamento escrito na porta: Brasil. E notou que a fila à entrada era
maior do que a dos outros departamentos Pensou com suas chaminhas: "Aqui
tem peixe por debaixo do angú" Entrou na fila e começou a chatear o
camarada da frente, perguntando por que a fila era maior e os
enfileirados menos tristes. O camarada da frente fingia que não ouvia,
mas ele tanto insistiu que o outro, com medo de chamarem a atenção,
disse baixinho:

- Fica na moita, e não espalha não. O forno daqui está quebrado e a
geladeira anda meio enguiçada. Não dá mais de 35 graus por dia.

- E as quinhentas chibatadas? - perguntou o falecido.

-Ah... o sujeito encarregado desse serviço vem aqui de manhã, assina o
ponto e cai fora.

Um comentário:

Carina Silva disse...

Carol, tão sem posts quanto eu.
Gostei do texto xD
Saudades de tí.
Te amo ;***