terça-feira, 30 de novembro de 2010

Psicólogo


- Boa tarde, dona Margô. Como vai a senhora hoje?
- Vou bem, Dr. Sérgio. E o senhor?
- Bem também, vamos falar sobre o que hoje?
- Acho que preciso falar sobre os meus filhos. – Respondeu enquanto sentava no divã a frente de Sérgio.
- Tudo bem, sou todo ouvidos.
- Bom, doutor, como o senhor já sabe, eu tenho dois filhos o Edu, mais velho e o Artur. E estou precisando conversar sobre eles, pois desde que eu e o pai deles nos separamos e o homem foi morar com outra moça... o mais novo passou a se comportar de modo muito estranho. Não acho que eu tenha falhado de alguma forma para ele passar a agir assim, realmente acho que consigo manter um diálogo aberto e franco quanto a tudo o que aconteceu com nossa estrutura familiar e sempre deixei bem claro que o pai deles os ama muito... o Edu entendeu... mas Artur...ele está me deixando estressada. – Ela escondeu o rosto nas mãos e apoiou os cotovelos no joelho.
- Como ele tem se comportado?
- De forma que eu julgo preocupante, doutor. Tenho medo já que agora, como estamos morando sozinhos nós três... passei a trabalhar mais para poder manter certos luxos que sempre tivemos. Então me tornei um pouco mais ausente, apesar de sempre tentar se o mais presente possível. Como o mais velho tem 16 anos e o mais novo tem 15, achei que não teria problemas em deixá-los sozinhos em casa enquanto eu estivesse trabalhando. Acho que me enganei.
- Mas o que Artur fez para que você ache suas atitudes tão preocupantes?
- Ele está diferente. Não é mais aquele menino doce que sempre foi. Está mais distante. Segundo Edu ele fugiu de casa algumas vezes e só voltou pouco antes de eu chegar em casa. E me contou que quando perguntou onde o irmão foi Artur respondeu que fora a lugar nenhum de forma muito ríspida. – Novamente ela escondeu o rosto. Mas dessa vez estava chorando. Levantou-se, foi até a janela e continuou falando, mas com uma calma incomum. – Meus filhos sempre foram muito amigos, tanto entre si quanto meus amigos. – Ela estava distante. Sua voz mudou para um tom um tanto sombrio. – Eu temo que Artur pense que a culpa de eu e o pai dele termos nos separado é dele e do irmão... ele anda tão distante de mim e tão mau com o irmão.
- Bem, dona Margô, isso é bastante comum... vocês brigavam muito durante os últimos meses de casamento?
- Não, foi uma separação pacífica. Por isso não entendo e me preocupo com Artur. Foi tão pacífica que... eu só descobri quando li um bilhete em cima do travesseiro ao meu lado da cama. – Ela tirou do bolso um pedacinho de papel, colocou os óculos e leu:
“Margô, não sei se um dia você poderá me perdoar. Quero que saiba que não estou fugindo, só percebi meio tarde que não estou pronto para ser marido e nem pai. Desculpe-me por ter enganado a ti e a mim mesmo durante esses 20 anos. Até algum dia, boa amiga.”
- Bom dona Margô. Nosso tempo por hoje acabou semana que vem podemos falar mais sobre isso. – Levantou- se estendendo a mão para despedir-se dela.
- Ah, claro. – Apertou a mão dele e saiu.

1 milk shakes preparados:

Juliana. disse...

Esses dias ouvi "imagine" do Lennon e lembrei de ti.
Engraçado...