- Eu preciso te falar uma coisa, mas estou nervosa. – Ela levantou a mão com a palma voltada para baixo para mostrar o quanto tremia. Ela riu, sentindo-se uma idiota por estar ali deitada ao lado dele com aquele propósito.
- Te acalma. – Ele ria enquanto tocava levemente a mão dela para baixá-la enquanto o outro braço envolvia sua cintura e a puxava para mais perto a abraçando de uma forma muito aconchegante – Tu sabe que não precisas ficar nervosa para me dizer qualquer coisa.
- Eu tenho certeza de que eu nem preciso te falar.
- Mas não vais te sentir melhor se falar?
- Vou.
-Então – ele a abraçou mais forte, dessa vez sentado e com a cabeça dela apoiada no peito – me fala.
- O que tem... o que tem de tão diferente em ti – ela engolia em seco e tentava segurar as lágrimas para que ele não percebesse o quão fraca e boba ela estava se sentindo – o que tem de tão diferente em ti que, por mais que eu tente, eu não consigo te esquecer?
- Eu não sei. – Aquilo o pegara de surpresa, ele a abraçou mais forte.
- Faz mais de um ano e meio que a gente terminou, não é normal eu ficar tanto tempo assim gostando de alguém. – Nessa hora ela já não conseguia mais se conter e estava soluçando por causa do choro, mas sentia-se melhor cada vez que ele intensificava o abraço.
- Eu acho que tudo tem seu tempo.
- Mas tá sendo tempo demais.
- É complicado dar conselhos...
- Quando se trata de nós mesmos, eu sei. Já passei por isso. – Ela lembrou-se do dia em que ele terminou com ela, perguntando o que ela achava que ele deveria fazer.
- Eu não posso te prometer nada. – Ele parecia decepcionado com o rumo que a conversa tomara, estava olhando fixo para a porta do quarto.
- Eu nem quero! – Ela se soltou dos braços dele o mais rápido que conseguiu e olhou-o nos olhos. – Eu jamais vou querer que tu fique comigo só porque eu quero isso, se for pra acontecer eu quero que aconteça porque ambos querem, de verdade. No fim das contas eu quero te ver feliz. – Ela voltou lentamente a cabeça ao peito dele. – Eu só não estava mais agüentando guardar isso só para mim.
- Entendo. Sabe... Acho que o melhor a fazer nessas horas é tentar apagar a pessoa da tua vida.
- Não, obrigada. Isso me machucaria mais ainda. Eu gosto da tua companhia. Mas agora eu tenho que ir para a minha casa tá ficando tarde. – Levantou-se e colocou os sapatos.
Pouco depois ele também levantou, olhou para ela e abriu os braços. Mais um abraço, forte. Eles se olharam e riram um pouco.
- Por que a gente é assim? – Ela estava sorrindo ao mesmo tempo em que sentia que iria desabar em lágrimas a qualquer segundo.
- Assim como?
- A gente se dá bem demais, seria mais fácil se não nos suportássemos. – Ela falava como quem estava brincando, mas ambos entenderam que ela falava sério. – Abre a porta pra mim?
- Claro. – Dirigiram-se até a porta da frente. Ele abriu.
- Tchau. – Ela deu um beijo na bochecha dele.
- Tchau. – Ele sorriu e acenou.
Ela colocou os fones e sentiu-se mais fraca do que nunca, mais boba do que nunca. Sentia suas pernas bambas, ainda esperava que ele gritasse o nome dela, viesse correndo e a beijasse, exatamente como nos filmes. Nada aconteceu. Ela foi sozinha até sua casa. Ela foi se controlando para não chorar durante todo o percurso. Controlando para que suas pernas não cedessem e ela caísse de joelhos na rua. Sozinha.
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