quarta-feira, 1 de junho de 2011

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Era uma noite fria e estrelada. Estavam na sacada da casa dele, apoiados no murinho branco chapiscado, cada um em seu próprio mundo. Nada se ouvia além dos carros que passavam na frente da casa e do latido incessante dos cães do vizinho.
- Por que nós somos assim? – Ela perguntou ao mesmo tempo em que voltava os olhos para ele.
- Assim como?
- Assim... tão... diferentes.
- Mas... nós somos iguais.
- Quase iguais e ao mesmo tempo muito diferentes... Tu é muito inerte! E eu não sou assim.
- E o que tu quer que eu faça? – Ele estava agora olhando para ela com toda a calma que a deixava nervosa.
- Eu quero que tu me convença a não sair agora por aquela porta, ir para a minha casa e nunca, nunca mais olhar na tua cara.
Calmamente ele pôs as mãos nos bolsos e fechou os olhos. Levantou a cabeça e tornou a encará-la. Tirou as mãos dos bolsos, cruzou os braços sobre o peito e baixou a cabeça.
- Eu não sei direito como eu posso te convencer...
- É disso que eu estou falando! – Ela o interrompeu com um grito e um tapa no ar, desapontada. – Tu deixa tudo e todos irem embora da tua vida! Tu não faz absolutamente nada para segurar as coisas. – Virou de costas e foi em direção à porta enquanto ele olhava, atônito, ela indo embora.
Depois de ver a porta se fechar ele baixou a cabeça, descruzou os braços e abriu uma das mãos revelando uma caixinha. Então as lágrimas começaram a cair por seu rosto. Ajoelhou-se, direcionou a caixa para a porta e, chorando, balbuciou.
-... mas, queres casar comigo?

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